segunda-feira, 4 de abril de 2011

Mercado automotivo  | 

Usados desvalorizam cinco vezes mais do que zero-quilômetro

Apesar do preço, segmento ficou para trás por causa de fatores como taxa de financiamento e prazo

Os preços dos carros usados despencaram 18,5% desde setembro de 2008, aponta levantamento da AutoInforme/Molicar. Foi a maior desvalorização no segmento em um período tão curto nos últimos 10 anos. No mesmo tempo (29 meses), o preço dos novos sofreu uma redução cinco vezes menor, de 3,43%. A pesquisa inclui 2,9 mil modelos de carros nacionais e importados vendidos no mercado brasileiro.
O presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) de SC, Sergio Ribeiro Werner, confirma que os números refletem a realidade do mercado local, que também registra quedas fortes de preço desde a crise econômica mundial de 2008.
– Em relação ao valor, este é um bom momento para comprar um carro usado ou seminovo – diz.
O problema é que outros fatores importantes na hora de fechar negócio têm levado os consumidores a preferir um zero quilômetro. As revendas de usados reclamam que o mercado ainda não se recuperou dos efeitos da crise. E apontam as razões. Facilidades e promoções oferecidas pelas concessionárias para a compra de modelos novos, aliadas às medidas de restrição para financiamento (anunciadas pelo Banco Central em dezembro) dificultam uma retomada do segmento, segundo consultores e comerciantes.
– O consumidor prefere o zero quilômetro porque os preços são convidativos, há juros mais baixos e maiores prazos de pagamento. Isso empurrou o setor de usados ainda mais para o fundo do poço – avalia o consultor Joel Leite, da AutoInforme.
Usados desvalorizam cinco vezes mais do que zero-quilômetro - Apesar do preço, segmento ficou para trás por causa de fatores como taxa de financiamento e prazo
Juros mais baixos para novos Outra questão importante são os juros de financiamento. Para carros novos, a taxa mensal está variando de 1,6% a 2%, na média, segundo dados da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). Para os carros usados (mais de três anos de utilização), os juros se elevam para o patamar entre 2,8% e 4,5%.
– Em 2010, as taxas estavam entre 15% e 20% menores. Com as medidas do governo, o consumidor mais punido é o de baixa renda. A classe média tem o usado para dar de entrada e melhorar as condições do financiamento – explica Miguel de Oliveira, vice da Anefac.
Modelos mais caros estão encalhados Os modelos usados mais encalhados nas revendas brasileiras seriam os da faixa de R$ 50 mil a R$ 80 mil e os "carros para famílias" – veículos maiores e menos esportivos.
Vladmir Lopes de Campos, gerente da RB Multimarcas, no município catarinense de São José, afirma que o mercado teve de se adequar às quedas expressivas do final de 2008 e início de 2009. Campos avalia que, antes da turbulência global, as margens de lucro nos usados estavam fora da realidade, o que levou ao ajuste atual. Quando a crise estourou no setor, algumas revendas, como a dele, venderam os carros de que dispunham o mais rápido possível para voltar a comprá-los meses depois com o preço já desvalorizado. Ou seja, o dinheiro foi recuperado com o giro de estoque.
– Outras lojas seguraram os carros no estoque pensando que a desvalorização seria passageira. Estes sim, perderam mais, porque tiveram que vendê-los por um preço ainda mais baixo tempos depois – diz Campos. N

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